A defesa da empresária e advogada Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro entrou com um pedido para revogar a prisão preventiva decretada durante a Operação Bóreas, deflagrada pela Polícia Federal no dia 25 de agosto. A investigação apura a atuação de um grupo suspeito de oferecer suporte logístico para o transporte internacional de drogas e armas.
Segundo a investigação, os envolvidos utilizariam aeronaves e pistas clandestinas para transportar cocaína e armas de fogo da Bolívia e do Peru para o território brasileiro.
O advogado Fernando Faria, responsável pela defesa de Thatiana, argumenta que não existem fundamentos atuais que justifiquem a manutenção da prisão. Entre os elementos citados na investigação está uma mensagem trocada em 2024 entre a empresária e o irmão, Márcio Rabello Mesquita Theodoro.
Márcio está preso desde fevereiro de 2025, quando foi localizado em uma aeronave que transportava aproximadamente 475 quilos de cloridrato de cocaína e pasta-base, no Tocantins.
A defesa sustenta que a mensagem mencionada no processo é antiga e não possui relação direta com os fatos investigados atualmente. Os advogados também afirmam que Thatiana possui residência fixa, atividade profissional e é mãe de uma menina de 9 anos.
Além de contestar a prisão, a defesa apresentou questionamentos sobre o cumprimento do mandado de busca e apreensão realizado na residência da empresária.
De acordo com os advogados, a diligência teria começado antes da chegada de um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), apesar de Thatiana também exercer a advocacia.
Outro ponto levantado pela defesa envolve o celular da investigada. Segundo os advogados, o aparelho teria sido apreendido desbloqueado, manuseado pelos agentes e posteriormente armazenado sem lacre.
Para a defesa, o procedimento pode ter afetado prerrogativas profissionais da advogada e levantado dúvidas sobre a cadeia de custódia da prova. As alegações ainda serão analisadas pela Justiça.
Como alternativa à revogação da prisão, os advogados solicitaram a aplicação de medidas cautelares, incluindo a retenção do passaporte e a proibição de deixar a comarca.
A defesa também pediu que a prisão preventiva seja convertida em prisão domiciliar, considerando que a empresária é mãe de uma criança.
Operação Bóreas
A Operação Bóreas resultou no cumprimento de três mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão em Cuiabá e Palmas.
A Justiça também determinou a apreensão de aeronaves e o bloqueio de bens e valores relacionados à investigação.
A Polícia Federal solicitou ainda a inclusão de dez investigados na lista de Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para auxiliar na localização de pessoas procuradas internacionalmente.
Durante as buscas realizadas na residência de Thatiana, os policiais apreenderam veículos, joias, relógios e dinheiro. A defesa afirma que os bens e valores são compatíveis com a renda da empresária.
Thatiana é sócia e administradora da empresa responsável pelo Tatu Bola Bar, localizado na região da Praça Popular, em Cuiabá. Segundo os advogados, o estabelecimento não possui qualquer relação com os fatos investigados pela Polícia Federal.
O processo tramita sob segredo de Justiça. O pedido de liberdade apresentado pela defesa ainda será analisado pela Justiça Federal do Tocantins.






