A nova temporada do cultivo de fibra no país aponta para uma retração na extensão territorial destinada ao plantio, mas compensada por um rendimento nas lavouras acima das previsões iniciais. O diagnóstico foi obtido por meio de expedições técnicas e monitoramento via satélite em polos produtivos estratégicos.
Panorama geral da produção nacional
As projeções indicam uma colheita total de 4,41 milhões de toneladas, com possibilidade de variação positiva conforme o avanço do beneficiamento. Até o início de setembro, cerca de 35% da pluma já havia passado por esse processo. A área total ficou em 2,07 milhões de hectares, representando um recuo de 6,3% em comparação ao ciclo anterior.
Desempenho recorde no Mato Grosso
No principal estado produtor, a área cultivada caiu 9,4%, totalizando 1,42 milhão de hectares. A decisão dos agricultores esteve ligada a fatores econômicos, dando preferência à liquidez do milho na segunda safra.
Apesar disso, a produtividade estimada saltou para 337 arrobas por hectare, configurando um recorde histórico regional. O volume colhido de pluma deve atingir 3 milhões de toneladas, impulsionado por um regime de chuvas favorável nos meses de outono.
Expansão e tecnologia na Bahia
Em território baiano, o cenário foi de leve alta na área, alcançando 425,7 mil hectares, com destaque para a expansão de 12% nas lavouras irrigadas, que agora representam 44% do total estadual.
A produtividade local também bateu recorde, estimada em 368 arrobas por hectare, gerando 982 mil toneladas de pluma — um crescimento de 23,2%. As condições climáticas beneficiaram especialmente as áreas de sequeiro plantadas até dezembro.
Desafios climáticos e fitossanitários
Apesar dos números expressivos, os produtores enfrentam obstáculos. O excesso de umidade tardia em algumas regiões prejudicou o brilho e a brancura da fibra, além de atrasar a dessecação. No aspecto fitossanitário, a disseminação do caruru exigirá maior rigor tecnológico e novas variedades de controle nas próximas temporadas.
Projeção no mercado internacional
O avanço técnico consolida o Brasil em posição de destaque global. O Mato Grosso já figura como o terceiro maior produtor mundial, superando os Estados Unidos, enquanto a Bahia ultrapassou a produção da Austrália.
A combinação entre tecnologia, manejo eficiente e clima garantiu um balanço positivo, reforçando a competitividade do grão brasileiro no exterior e consolidando dados precisos através de mapeamentos avançados de campo.







