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Delegada denuncia intimidação após expor estupro de detenta em Sorriso

A delegada da Polícia Civil Jannira Laranjeira, conhecida por sua atuação no combate à violência contra a mulher em Cuiabá, afirmou ter sido alvo de mensagens privadas com tom de intimidação após se manifestar publicamente sobre a prisão preventiva de um investigador acusado de estupro dentro da Delegacia de Sorriso. A denúncia foi feita pela própria delegada em um vídeo divulgado em seu perfil no Instagram, nesta segunda-feira (2).

Segundo Jannira, as mensagens recebidas buscaram descredibilizar sua posição pública e personalizar um posicionamento que, conforme ressaltou, teve como objetivo exclusivo defender a apuração rigorosa dos fatos e a responsabilização criminal diante de um crime grave. Ela enfatizou que, em nenhum momento, atacou colegas de profissão ou fez acusações individuais, mas falou como mulher, cidadã e agente do Estado comprometida com a proteção de vítimas.

Entre os conteúdos enviados à delegada, havia declarações que ela classificou como ameaças veladas, associando seu posicionamento a consequências pessoais e profissionais futuras. Para Jannira, esse tipo de reação revela uma tentativa de silenciamento e uma confusão perigosa entre corporativismo e justiça.

No vídeo, a delegada foi enfática ao afirmar que não admite intimidações. “Defender a vítima não é ofensa, nem traição institucional. Justiça não pode ser relativizada por conveniências internas”, afirmou, acrescentando que escolheu a carreira policial para proteger pessoas, e não para encobrir crimes.

Ela também destacou a gravidade do caso que motivou sua manifestação pública. “Quando uma mulher sofre violência dentro de uma instituição que deveria protegê-la, o Estado tem a obrigação de responder com firmeza. E quando tentam calar quem defende isso, a resposta precisa ser ainda mais clara”, declarou, reforçando que seu compromisso é com a verdade e com a legalidade.

O episódio citado envolve o investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos, preso preventivamente sob acusação de estuprar uma mulher que estava sob custódia na Delegacia de Sorriso. A prisão foi determinada após exames periciais indicarem compatibilidade de material genético. O servidor passou por audiência de custódia, teve a prisão mantida e o processo segue em segredo de Justiça.

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil acompanha o caso, que também é apurado na esfera administrativa.

PRISÃO PREVENTIVA

 

Durante audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (2), a Justiça decidiu manter a prisão do investigador Manoel Batista da Silva, detido no domingo (1º), suspeito de estuprar uma mulher de 25 anos enquanto ela estava presa na Delegacia de Sorriso. O processo tramita sob sigilo judicial.

A decisão foi confirmada pela delegada Layssa Crisóstomo de Paula Leal, responsável pelo inquérito. De acordo com ela, em razão do segredo de Justiça, não é possível divulgar informações adicionais sobre o andamento das investigações ou sobre a eventual apuração de outros casos.

A prisão preventiva foi solicitada após laudos periciais apontarem a presença de material genético do investigado no corpo da vítima. A denúncia do crime teria sido registrada há cerca de 50 dias. Com a ordem judicial, equipes da Polícia Civil cumpriram o mandado na residência do servidor, no bairro Jardim Aurora, onde também recolheram arma de fogo, munições e demais materiais funcionais.

Em manifestação encaminhada ao Judiciário no dia 31 de janeiro, o promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino afirmou que a conduta atribuída ao investigador representa um grave desvio ético e institucional, com impacto direto na credibilidade do sistema de justiça criminal.

Segundo o Ministério Público, o crime teria sido cometido com abuso da função pública, em um contexto de extrema vulnerabilidade da vítima. “Não se trata apenas de um crime sexual, mas de uma violência praticada com o uso da estrutura do Estado, dentro de um espaço que deveria garantir proteção”, destacou o promotor.

Para o órgão ministerial, a situação evidencia uma ruptura profunda da confiança que sustenta a atuação estatal, especialmente quando a vítima se encontra sob custódia e sem qualquer possibilidade de defesa ou socorro.

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil segue acompanhando o caso tanto no âmbito criminal quanto administrativo.

Com informações Fato Agora / Repórter MT