O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) está realizando uma série de encontros presenciais com agricultores em diversas cidades do interior mato-grossense. Iniciada no final de agosto, a iniciativa itinerante segue até a próxima quarta-feira (30), oferecendo análises econômicas atualizadas, projeções para as safras 2026/27 e um canal direto para debater os desafios locais do setor produtivo.
Desafios e planejamento no campo
Durante os eventos, os debates giram em torno de três pilares centrais: os altos custos de produção, a volatilidade do mercado e o impacto do cenário climático. Esses fatores exigem cautela redobrada dos agricultores tanto para o início da semeadura da soja quanto para a estratégia da segunda safra de milho.
Conforme aponta Henrique Eggers, analista do instituto, a ação integra a programação da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja MT). O objetivo central é descentralizar os estudos econômicos e captar as particularidades de cada localidade.
Expansão cautelosa das lavouras
A combinação entre margens apertadas e gerenciamento de riscos alterou o ritmo de crescimento agrícola no estado. Diferente de anos anteriores, a expansão projetada para a área plantada é mais modesta, refletindo a cautela diante das despesas operacionais elevadas.
Para o ciclo 2026/27, as projeções oficiais indicam uma área de 13,04 milhões de hectares dedicada à soja, alcançando uma produtividade média de 62,4 sacas por hectare e colheita estimada em 48,8 milhões de toneladas. No caso do milho, a estimativa aponta para 7,48 milhões de hectares, com rendimento esperado de 119,64 sacas por hectare e um volume total de 53,68 milhões de toneladas.
Ritmo de comercialização de insumos
Outro ponto de alerta levantado pelos especialistas diz respeito à compra antecipada de produtos para o milho da safra 2026/27. Os volumes negociados em setembro ficaram abaixo tanto do patamar registrado no ano passado quanto da média histórica dos últimos cinco anos.
O principal entrave para esse ritmo lento é a baixa demanda por fertilizantes, especialmente devido aos preços desfavoráveis dos adubos nitrogenados no mercado atual, o que tem travado o fechamento de novos acordos comerciais.
A rodada de palestras do projeto teve início em Rondonópolis no dia 31 de agosto e já passou por municípios como Alto Taquari, Jaciara, Primavera do Leste, Gaúcha do Norte, Canarana e Querência. O cronograma se encerra nos dias 29 e 30 de setembro com passagens por Água Boa, Nova Xavantina, Jaciara e Campo Verde.







