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Milho recorde desafia armazéns, transporte e rentabilidade dos produtores em Mato Grosso

Com mais de 57 milhões de toneladas previstas, Estado se aproxima do fim da colheita enquanto enfrenta pressão logística e negociações ainda lentas

Mato Grosso caminha para concluir uma das maiores safras de milho de sua história. O avanço da produção, porém, trouxe um novo desafio ao campo: retirar, armazenar e comercializar milhões de toneladas em um momento de oferta elevada e margens financeiras apertadas.

Até 24 de julho, as máquinas haviam percorrido 90,66% da área cultivada na safra 2025/26. O percentual ficou ligeiramente acima dos 90,37% observados um ano antes, mas abaixo da média de 92,68% das últimas cinco temporadas. No Médio-Norte, os trabalhos alcançaram 98,03%.

A estimativa aponta para uma produção de 57,06 milhões de toneladas, crescimento de 2,92% sobre o ciclo anterior. O resultado é impulsionado pela produtividade média de 128,64 sacas por hectare, a maior já registrada no Estado. Os números foram calculados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), com base em mais de 800 levantamentos realizados em 82 municípios.

Apesar do desempenho nas lavouras, uma parte significativa do cereal ainda não tinha comprador. Até junho, 51,41% da produção prevista estava negociada, com valor médio de R$ 43,10 por saca. O restante precisa encontrar espaço em armazéns ou seguir para indústrias, usinas de etanol e terminais de exportação.

A chegada simultânea de grandes volumes intensifica a procura por caminhões e estruturas de armazenagem. Produtores que não possuem silos próprios ficam mais vulneráveis, pois têm menor capacidade de aguardar uma recuperação dos preços e podem precisar comercializar o produto justamente durante o pico da oferta.

A próxima temporada também começa cercada de incertezas. Apenas 7,90% da safra 2026/27 havia sido vendida antecipadamente, pelo valor médio de R$ 44,76 por saca. Ao mesmo tempo, o custo total projetado chegou a R$ 7.418,49 por hectare, elevação de 10,30%. Já o custeio operacional foi calculado em R$ 3.799,42 por hectare, avanço de 14,46%.

Para pagar o Custo Operacional Efetivo, o produtor precisaria receber ao menos R$ 42,70 pela saca. Para cobrir o Custo Operacional Total, o preço necessário sobe para R$ 47,09. A cotação média antecipada para o próximo ciclo está entre esses dois patamares, indicando possibilidade de pagamento das despesas imediatas, mas sem garantia de cobertura de todos os custos.

Assim, o recorde de produtividade não representa necessariamente maior lucro. O resultado financeiro dependerá do comportamento dos preços, da disponibilidade de fretes e armazéns e da capacidade do mercado de absorver rapidamente o milho que deixa as propriedades mato-grossenses.