À medida que a eleição se aproxima, Bolsa, dólar e juros passam a reagir não apenas aos números da economia, mas às expectativas sobre o país que nascerá das urnas.
Há uma ideia na economia de que os mercados tentam antecipar o futuro. Na política, essa lógica ganha uma dimensão ainda maior em um ano eleitoral. O investidor não sabe quem governará, quais medidas serão aprovadas ou qual será a trajetória das contas públicas, mas começa a atribuir preços a diferentes possibilidades. É por isso que, antes mesmo do eleitor chegar à urna, a Bolsa, o dólar e os juros já começam a contar uma história sobre o Brasil que poderá surgir depois da eleição.
Os números de setembro ajudam a entender esse movimento. O Ibovespa encerrou o mês aos 186.340 pontos, com alta de 5,03%, e acumulou valorização de 15,65% em 2026. O dólar terminou setembro próximo de R$ 5,17. Mas seria simplista colocar todo esse movimento na conta das eleições. O mercado também reagiu ao cenário internacional, às expectativas sobre os juros americanos, ao petróleo e às próprias decisões da política monetária brasileira.
É justamente aí que entra a política econômica. A Selic está em 13,75% ao ano, enquanto o Banco Central projeta inflação de 5,2% para 2026 em seu cenário de referência. Para quem acompanha a economia, esses números dizem mais do que parece. Um governo que gere expectativas de maior equilíbrio fiscal pode alterar a percepção de risco e as condições financeiras, já dúvidas sobre a trajetória das contas públicas podem pressionar juros e câmbio. Não é uma questão de partido, mas de confiança nas regras e nos números.
Para o cidadão comum, tudo isso pode parecer distante da vida real. Não é! Quando o dólar sobe, empresas que dependem de produtos importados sentem o impacto. Quando os juros permanecem elevados, o financiamento de uma casa, de um carro ou de uma máquina fica mais caro. Quando a Bolsa muda de direção, empresas, fundos de investimento e expectativas de crescimento também são afetados. O mercado financeiro, portanto, não vive em uma realidade paralela, ele transmite para a economia parte das expectativas que surgem no ambiente político e econômico.
A grande questão dos próximos dias não será simplesmente descobrir para onde irá a Bolsa, o dólar ou a taxa de juros. Será observar quais propostas conseguirão transformar expectativa em confiança e discurso em política econômica sustentável. O eleitor decide nas urnas, o mercado reage aos sinais que recebe. No fundo, ambos estão olhando para a mesma pergunta, embora por caminhos diferentes: Que tipo de Brasil estamos construindo para os próximos anos?

Elienai Carrias
Economista | Esp. em Sustentabilidade | Mestre em Economia
Palestrante | Consultor Político e Empresarial
*Texto de responsabilidade do autor e não representa a opinião do LeitorMT.
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ANEXOS
Gráfico 1 – Ibovespa, desempenho mensal em 2026.

Gráfico 2 – Mercado Brasileiro (bolsa e dólar) em setembro de 2026.

Gráfico 3 – Inflação e Juros, o pano de fundo de 2026.








