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Segundo afastamento amplia suspeitas de desvios na Câmara de Cuiabá

A Polícia Civil de Mato Grosso realizou, na manhã desta terça-feira (27), uma ampla ofensiva contra um suposto esquema de desvio de recursos públicos em Cuiabá. Batizada de Operação Gorjeta, a ação culminou no novo afastamento do vereador Chico 2000 (PL) do cargo, além da aplicação de uma série de medidas judiciais contra outros investigados.

As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), apontam para um mecanismo de direcionamento irregular de emendas parlamentares, que teria beneficiado um instituto sem fins lucrativos e empresas previamente escolhidas. Conforme a apuração policial, parte dos valores públicos repassados retornava ao próprio parlamentar, configurando possível apropriação indevida de dinheiro público.

Por determinação do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá, foram expedidas 75 ordens judiciais, entre elas mandados de busca e apreensão e autorizações para extração de dados de aparelhos eletrônicos. As diligências alcançaram, inclusive, o gabinete do vereador na Câmara Municipal.

Além de Chico 2000, a operação tem como alvos servidores públicos, um empresário, empresas privadas e um instituto, todos investigados por crimes como peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Como medida cautelar, o vereador e dois servidores do Legislativo municipal foram afastados de suas funções.

A Justiça também impôs restrições a seis investigados, incluindo proibição de contato entre os envolvidos, impedimento de acesso à Câmara Municipal e à Secretaria Municipal de Esportes, além da retenção de passaportes e proibição de saída da comarca.

No campo patrimonial, houve o bloqueio de R$ 676.042,32 em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, bem como o sequestro de veículos, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis. O instituto investigado teve suas atividades suspensas, e tanto o Executivo quanto o Legislativo de Cuiabá ficaram impedidos de contratar ou nomear os alvos da operação.

Histórico

Este é o segundo afastamento de Chico 2000 do mandato. Em abril de 2025, ele já havia sido retirado do cargo após outra investigação da Polícia Civil, que apurou a cobrança de propina relacionada à liberação de pagamentos de obras do Contorno Leste. Na ocasião, a Justiça determinou o afastamento por tempo indeterminado, com possibilidade de convocação de suplentes.