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Mato Grosso debate banco de vacinas para barrar novos vírus da aftosa

Entidades mato-grossenses debatem banco emergencial contra novos vírus da febre aftosa

Representantes do agronegócio de Mato Grosso participaram recentemente de uma reunião estratégica no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília, para discutir a criação de barreiras sanitárias contra o avanço de novos vírus da febre aftosa.

Estratégia internacional de defesa

O foco principal do encontro foi acelerar a implantação do Banco Regional de Antígenos para Febre Aftosa (BANVACO). O projeto funciona como uma ferramenta de segurança internacional para estocar insumos e viabilizar a produção imediata de vacinas em larga escala caso ocorra alguma ameaça externa ao continente sul-americano.

As discussões conduzidas pelo Departamento de Saúde Animal envolveram a proteção contra os sorotipos SAT 1 e SAT 2. Tratam-se de variações exóticas do patógeno que provocam surtos em outras regiões do planeta, mas que nunca circularam na América do Sul. Para viabilizar a iniciativa, o plano conta com o financiamento de fundos privados de defesa sanitária.

Participação das entidades mato-grossenses

A comitiva do estado contou com a presença da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), representada pelo diretor técnico Chico Manzi, além de membros da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e do Fundo Emergencial de Saúde Animal (Fesa-MT).

A articulação regional busca eliminar qualquer ponto de vulnerabilidade. Para isso, uma nova rodada de negociações com nações sul-americanas está marcada para novembro, quando serão definidas as cotas de armazenamento do banco de antígenos.

Sob a coordenação do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária (Panaftosa), ligado à OPAS/OMS, a medida é vista como vital. Mato Grosso possui o maior rebanho bovino do país, e a identificação de um único foco da doença resultaria em embargos severos, suspensão das exportações de carne para a Europa e Ásia e perdas bilionárias.

Três décadas livres da doença

O debate na capital federal coincide com um marco histórico para a pecuária estadual: em 2026, completam-se 30 anos sem o registro de nenhum caso da enfermidade. O último foco foi combatido em 1996, o que permitiu a suspensão da vacinação obrigatória em 2023 e a chancela do Mapa em 2024.

O reconhecimento internacional culminou em maio de 2025, quando a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) declarou o Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação. Com o status elevado e novos mercados exigentes conquistados, a criação do BANVACO atua como uma apólice de seguro biológico definitiva para preservar a economia da pecuária regional.