A semeadura da soja 2026/27 em Mato Grosso começou de forma lenta devido à irregularidade das chuvas, gerando preocupação entre os agricultores locais.
Impacto do El Niño no rendimento agrícola
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou a produtividade média esperada para 64,82 sacas por hectare, configurando uma queda de 2,02% em relação ao ciclo anterior. Com isso, a produção total do estado deve alcançar 50,89 milhões de toneladas, mesmo com um leve acréscimo de 0,60% na área plantada, que agora soma 13,08 milhões de hectares.
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mantém projeções ainda mais conservadoras, estimando a colheita em 48,88 milhões de toneladas. Os especialistas alertam que o período crítico ocorrerá entre novembro e dezembro, meses que concentram o florescimento e a formação das vagens, fases altamente sensíveis à escassez hídrica e às altas temperaturas provocadas pelo fenômeno climático.
Aumento nos custos de produção
O balanço financeiro aponta que cultivar um hectare de soja no estado custa atualmente R$ 8.210,31, representando uma alta de 6,96% frente à safra passada. O encarecimento foi impulsionado principalmente pelas operações mecanizadas, que dispararam 23,85% devido à instabilidade nos preços globais de petróleo.
Os gastos com o manejo químico também pesaram no orçamento, registrando um aumento de 10,10% nos defensivos agrícolas. Por outro lado, o impacto financeiro foi parcialmente aliviado pela queda de 21,96% no preço médio das sementes, servindo como amortecedor para o caixa dos produtores.
Diante do cenário desafiador, analistas reforçam que a gestão financeira será decisiva: “com as margens de lucro esmagadas, a sobrevivência financeira do produtor nesta safra dependerá exclusivamente de sua capacidade de travar vendas nos picos de preços do mercado físico”.







