A identificação de um foco da doença de Newcastle em uma granja de perus localizada em Nova Itaberaba, na região Oeste de Santa Catarina, colocou o setor avícola brasileiro em alerta máximo para o risco de barreiras comerciais e oscilações nas cotações.
Impacto das barreiras internacionais
Divulgada em boletim da Safras Consultoria, a ocorrência tem potencial para gerar suspensões temporárias nas vendas externas, cujo alcance exato depende diretamente das exigências sanitárias adotadas por cada nação importadora.
Diante do cenário, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) detalhou como estão distribuídos os embargos comerciais até o momento. O México determinou a suspensão integral das importações brasileiras de aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias e aves canoras, ornamentais ou de rapina destinadas à comercialização e aves de companhia. Por outro lado, a China limitou o veto à carne de aves oriunda exclusivamente de Santa Catarina. Já o Chile suspendeu a entrada de ovos férteis, ovos SPF, pintinhos de um dia, aves ornamentais, carne fresca de aves, ovos para consumo humano e produtos cárneos contendo carne fresca de aves produzidos no território catarinense.
O peso do mercado chinês
A postura adotada por Pequim é considerada fundamental pelos especialistas. “China é a variável-chave”, afirma a Safras. Os analistas relembram que o histórico registrado em 2024 indica que a retomada das compras externas pelo país asiático pode acontecer mantendo restrições específicas para a região onde o foco sanitário foi detectado. “O risco relevante é a reabertura ao Brasil com exclusão de SC”, destaca a consultoria.
O estado catarinense ocupa a segunda posição no ranking de exportação de carne de frango no país, ficando atrás apenas do Paraná, além de abrigar um segmento central na produção nacional de perus. “Uma restrição estadual agora atinge um polo exportador de peso e o núcleo da cadeia de perus”, aponta o relatório.
Reflexos no abastecimento doméstico
Caso as medidas restritivas permaneçam ativas por um período prolongado, a indústria avícola precisará redirecionar grandes volumes de mercadorias que teriam como destino o mercado externo, gerando desdobramentos diretos no cenário interno.
Especialistas da área econômica enumeram as principais consequências práticas para o consumidor brasileiro:
- Superávit de Oferta Interna: Como estados exportadores de peso como Santa Catarina sofrem restrições para mandar a carne de frango e de peru para fora, as indústrias frigoríficas são obrigadas a redirecionar essas toneladas de produtos para os supermercados e açougues de todo o Brasil
- Pressão de Preços para Baixo: Com muito mais frango, peru e chester disponíveis nas gôndolas nacionais do que o planejado originalmente para o período, a concorrência aumenta e os preços tendem a cair ou se estabilizar no varejo, aliviando o bolso do trabalhador na montagem da ceia natalina.
- Segurança de Consumo: O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reforça de forma categórica que o achado foi um evento estritamente localizado e que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece 100% seguro, sem qualquer tipo de contraindicação ou risco à saúde humana.
As autoridades federais e os agentes econômicos seguem monitorando a evolução dos protocolos sanitários e as deliberações oficiais dos países compradores para mensurar o tamanho real do impacto na economia nacional.







