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Reforma tributária e dívidas desafiam o agronegócio no MT

Reforma tributária e dívidas rurais preocupam produtores e exigem preparação, alertam especialistas

O setor agropecuário brasileiro vive um momento de forte pressão financeira, impulsionado por alterações na legislação de impostos, margens de lucro estreitas e sérios obstáculos para quitar financiamentos bancários. Esse cenário complexo foi o tema central do Workshop do Agro – Reforma Tributária, Crédito e Prorrogação da Dívida no Agronegócio, evento sediado em Lucas do Rio Verde com a presença de especialistas contábeis, jurídicos e tributários.

A iniciativa, fruto de uma parceria entre o Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde e o Sistema Famato, teve como objetivo principal orientar os agricultores sobre as inovações no sistema de arrecadação, os reflexos diretos na administração das terras e as opções viáveis para a renegociação de débitos e o acesso ao crédito rural.

Gestão tributária e novos pilares nos negócios rurais Durante as palestras, os profissionais enfatizaram que a adaptação exigida vai muito além de meros ajustes contábeis, atingindo profundamente o planejamento estratégico de vendas, compras, contratos e investimentos futuros.

José Cristóvão Martins Júnior, assessor técnico tributário da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), apontou que o novo sistema demandará envolvimento direto dos donos de terras nas decisões fiscais. O especialista lembrou que a gestão abrangerá o manejo de créditos tributários, a revisão contratual e a projeção para a aquisição de insumos e bens de capital.

Para ele, mesmo contando com auxílio de contadores, o agricultor precisará dominar os reflexos comerciais no caixa: “Ele mesmo tem que ter essa ciência para fazer negócios firmados nesses novos pilares”.

Insegurança operacional e mudanças comportamentais O evento também contou com a participação de Elielton Souza, contador e consultor tributário representando o Conselho Regional de Contabilidade de Mato Grosso (CRC-MT), que reforçou a apreensão gerada pela falta de regulamentações claras sobre alíquotas e procedimentos operacionais da reforma.

Segundo o consultor, a transformação não se resume à troca de tributos, mas tocará na essência da organização financeira das empresas agrícolas: “É mudança de comportamento, a sua maneira de comprar vai mudar, a sua maneira de vender vai mudar, os seus controles de gestão também vão mudar”.

Crise no crédito rural e juros elevados Outro ponto crítico debatido foi a saúde financeira dos produtores, que encontram barreiras crescentes para honrar empréstimos diante de uma rentabilidade que caminha abaixo do custo do dinheiro.

Aldo Nuss, conselheiro do CRC-MT e especialista em perícias financeiras, relatou uma procura intensificada por revisões contratuais e prorrogações de débitos, justificando que a raiz do problema não é a falta de vontade de quitar os compromissos, mas a inviabilidade matemática: “Não é que o produtor não quer pagar, ele simplesmente não tem margem para fazer esses pagamentos”.

Como conclusão do encontro, lideranças como Tiago Cinpak, presidente do Sindicato Rural local, reforçaram que a capacitação antecipada, o acompanhamento rigoroso das normas e a profissionalização da gestão são as únicas ferramentas capazes de blindar as propriedades e garantir a sustentabilidade econômica do agronegócio moderno.