O mercado financeiro brasileiro encerrou outubro sob forte pressão, com disparada do dólar e queda acentuada da bolsa de valores. Nesta sexta-feira (30), a moeda estadunidense avançou cerca de 1% e fechou perto de R$ 5,45, enquanto o Ibovespa recuou 0,75%, aos 167,9 mil pontos.
Balanço do câmbio e recorde semanal
O dólar comercial encerrou a sexta-feira em alta de 1,09%, cotado a R$ 5,446, no maior valor de fechamento de 2026. Durante a sessão, a moeda chegou a R$ 5,463, antes de reduzir parte dos ganhos. Na semana posterior ao segundo turno das eleições presidenciais, o dólar acumulou alta de 9,15%, movimento que representa a maior valorização semanal desde outubro de 2008, durante a crise financeira internacional. Em outubro, a moeda avançou 5,27%, acumulando alta de 0,81% no ano.
Parte da volatilidade esteve relacionada à formação da Ptax de fim de mês, calculada pelo Banco Central. A pressão sobre o real também refletiu a reavaliação de posições após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e as incertezas sobre a política fiscal brasileira e a equipe econômica. A procura por proteção cambial antes do feriado de Finados e o ambiente externo adverso também pesaram.
Queda histórica no Ibovespa
O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira aos 167.921,80 pontos, registrando o quinto pregão consecutivo de baixa. Na semana, o indicador acumulou desvalorização de 18,12%, a pior desde março de 2020, no início da pandemia de covid-19. Em outubro, o índice caiu 9,88%, o pior resultado desde junho de 2022.
A pressão sobre os ativos locais aumentou após o resultado eleitoral. Na segunda-feira (26), a queda acionou o circuit breaker. A fuga de capital externo agravou o cenário, com dados da B3 apontando retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões nos três primeiros pregões da semana.
Turbulência no cenário internacional
Além das questões domésticas, o mercado financeiro lidou com um ambiente externo desfavorável, impulsionado pela cautela com ações de empresas de tecnologia e inteligência artificial nos Estados Unidos. Em Nova York, o S&P 500 caiu 1,82%. O índice global do dólar subiu 0,01%, alcançando 101,890 pontos no fim da tarde.
O encerramento de outubro coroa um período de intensa volatilidade para a economia brasileira, evidenciando a cautela dos investidores diante do cruzamento entre fatores políticos locais e a aversão ao risco nos mercados globais.







