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Candidaturas de estudantes estrangeiros a universidades dos EUA caem cerca de 10%

O número de estudantes estrangeiros que se candidataram a universidades dos Estados Unidos apresentou queda de aproximadamente 10% neste ano. O recuo acende um alerta para as instituições de ensino superior do país, que dependem da presença internacional tanto para fortalecer a pesquisa quanto para movimentar suas receitas.

Dados da plataforma Common Application mostram que as candidaturas internacionais para o ano acadêmico de 2026/2027 diminuíram 9% em comparação com o mesmo período do ciclo anterior. Entre os países que registraram as maiores retrações estão Gana, com queda de 34%, Nigéria, com 17%, e Índia, com 14%. NAFSA

O cenário também aparece em levantamento do Instituto de Educação Internacional (IIE). Entre as universidades consultadas, 59% informaram ter recebido menos candidaturas estrangeiras. A diminuição foi mais acentuada nos cursos de pós-graduação.

As dificuldades para obtenção de vistos, o aumento da fiscalização migratória, as restrições de entrada e a insegurança em relação às regras para permanência nos Estados Unidos estão entre os fatores apontados para explicar o movimento. A concorrência de países que oferecem cursos mais acessíveis e processos migratórios considerados menos rigorosos também influencia a decisão dos estudantes.

Universidades preveem novas perdas

A redução das candidaturas poderá se refletir diretamente nas matrículas. Cerca de 63% das instituições ouvidas pelo IIE esperam receber menos alunos estrangeiros no ciclo acadêmico de 2026/2027.

Uma projeção elaborada pela Associação de Educadores Internacionais (NAFSA) indica que as universidades americanas podem perder até 112 mil estudantes estrangeiros no próximo período letivo. A retração, estimada em 9,5%, poderá provocar um impacto de aproximadamente US$ 3,4 bilhões na economia e afetar cerca de 40 mil empregos.

Além do pagamento de mensalidades, esses estudantes movimentam os setores de moradia, alimentação, transporte e serviços. Por isso, uma queda prolongada pode aumentar a pressão financeira sobre universidades que possuem forte presença internacional.

O movimento também preocupa pesquisadores e representantes do setor educacional. A avaliação é que a perda de estudantes estrangeiros pode comprometer a diversidade acadêmica, reduzir a chegada de profissionais qualificados e enfraquecer a posição dos Estados Unidos como um dos principais destinos de formação superior do mundo.