Da força econômica à influência política: Em 2026 Sorriso testa sua capacidade de transformar lideranças locais em representação efetiva no Estado e em Brasília
Sorriso chega às eleições de 2026 com um peso político que já não pode ser medido apenas pelo tamanho do município. Segundo dados do Cadastro Eleitoral, a cidade possui 76.209 eleitores aptos a votar, enquanto Mato Grosso soma 2.638.230 eleitores. O número coloca Sorriso entre os principais colégios eleitorais do interior e ajuda a explicar por que a cidade se tornou peça importante no tabuleiro político estadual.
O perfil desse eleitorado também merece atenção. Sorriso possui 39.656 eleitoras e 36.553 eleitores, com presença expressiva de pessoas em idade economicamente ativa. Entre as faixas etárias, destacam-se os eleitores de 25 a 49 anos, enquanto o ensino médio completo aparece como uma das principais faixas de escolaridade. É um eleitorado formado por trabalhadores, empresários, produtores rurais, profissionais liberais, servidores, jovens e famílias que chegaram de diferentes partes do país.

É nesse cenário que chama atenção a presença de tantos nomes ligados a Sorriso na eleição de 2026. São diferentes trajetórias, partidos e projetos, disputando espaços na Assembleia Legislativa, na Câmara Federal e também participando de chapas ao Senado. Mais do que uma concentração de candidaturas, o fenômeno revela uma questão maior: Sorriso conseguirá transformar sua força econômica e eleitoral em influência política regional?
Na disputa pela Assembleia, Ari Lafin carrega a experiência de oito anos à frente da Prefeitura e uma estrutura política construída durante sua trajetória administrativa. Mauro Savi tenta recuperar o espaço parlamentar que já ocupou por vários mandatos. Jane Delalibera (vereadora) representa uma trajetória consolidada na política municipal, enquanto Fredison Dias (suplente de vereador), Regis e Irmão do Salão chegam ao cenário estadual com propostas associadas à renovação e à representação de diferentes segmentos da sociedade.
Na corrida pela Câmara Federal, Acácio Ambrosini parte da experiência como vice-prefeito e da participação direta na administração municipal. Pr. Néviton apresenta uma candidatura fortemente relacionada à sua atuação religiosa e comunitária. Pé no Chão, por sua vez, retorna ao cenário eleitoral carregando uma trajetória política anterior. São perfis distintos, mas todos enfrentam o mesmo desafio: transformar presença local em votação regional. Há ainda Xuxu Dal Molin e Jucélia Ferro, que aparecem como suplentes em chapas ao Senado. Embora não estejam disputando diretamente uma cadeira de senador, suas participações ampliam a presença de lideranças relacionadas a Sorriso em uma eleição majoritária de alcance estadual. Isso demonstra que a influência política construída no município já ultrapassa a disputa exclusivamente local.
Mas existe um detalhe que não pode ser ignorado: 76 mil eleitores são muitos para um município, mas poucos para eleger sozinhos um deputado estadual ou federal. A matemática eleitoral exige expansão. Quem pretende conquistar uma cadeira precisa transformar a força de Sorriso em ponto de partida para uma articulação mais ampla, especialmente no médio-norte e em outras regiões de Mato Grosso.
Essa é, talvez, a principal disputa invisível de 2026. Os candidatos não competem apenas entre si por votos. Competem também pela capacidade de apresentar uma narrativa que faça sentido para outras cidades. Sorriso pode ser a base política, mas o mandato estadual ou federal dependerá da capacidade de construir pontes, alianças e confiança para além de suas fronteiras. Também seria um erro imaginar o eleitorado de Sorriso como um bloco único. A cidade reúne interesses econômicos e sociais distintos. O produtor rural possui determinadas preocupações; o trabalhador do comércio, outras. O empresário, o servidor público, o jovem e a população dos bairros também possuem prioridades próprias.
A representação política contemporânea exige capacidade de ouvir essa diversidade sem reduzir a cidade a uma única pauta.
Por isso, a eleição de 2026 pode ser interpretada como um teste de maturidade política para Sorriso. Não basta ter nomes conhecidos, experiência administrativa, tradição eleitoral ou identidade partidária. Será necessário demonstrar capacidade de diálogo, articulação regional e compromisso com resultados concretos para o município e para o Estado. A força de Sorriso não está apenas na produção agrícola, no crescimento urbano ou no número de eleitores. Está também na capacidade de sua população participar das decisões que definem infraestrutura, logística, saúde, educação, segurança e desenvolvimento econômico.
Uma cidade economicamente forte precisa buscar também uma representação política à altura de sua importância.
No fim, os onze nomes representam mais do que uma lista de candidaturas. Eles expressam diferentes maneiras de enxergar o futuro de Sorriso e sua relação com Mato Grosso. Para o eleitor, a escolha não deveria ser apenas sobre quem possui maior visibilidade, mas sobre quem demonstra capacidade de representar, dialogar e transformar a força de Sorriso em resultados. A reflexão que fica é simples: Sorriso já conquistou relevância econômica e demográfica. Agora precisa descobrir se conseguirá converter essa força em influência política responsável e regionalizada.
Ter muitos candidatos é sinal de vitalidade democrática. Ter representantes capazes de ouvir a população, dialogar com diferentes grupos e defender os interesses da região será o verdadeiro desafio de 2026.

Elienai Carrias
Economista | Esp. em Sustentabilidade | Mestre em Economia
Palestrante | Consultor Político e Empresarial
*Texto de responsabilidade do autor e não representa a opinião do LeitorMT.







