Leitor MT
Carregando clima...

Após derrota, Jayme chora e diz ter sido vítima do ‘rolo compressor’ do Estado

Em um discurso marcado pela emoção, críticas à condução da convenção e agradecimentos aos apoiadores, o senador Jayme Campos afirmou nesta quinta-feira (30) que deixa a disputa interna do União Brasil “de cabeça erguida”, mas classificou o processo que definiu os rumos da legenda para 2026 como “draconiano, desigual e desonesto”. Em um dos momentos mais marcantes do pronunciamento, o senador não conteve as lágrimas ao recordar o filho falecido.

Jayme iniciou o pronunciamento afirmando que sempre acreditou na democracia, mas fez duras críticas à forma como a convenção foi conduzida.

“Dizer aos senhores que estou aqui com a minha cabeça erguida, certo de participar de um processo democrático, que é o que todos nós queremos e pretendemos neste país, a sua plena democracia. Entretanto, eu vou fazer um pequeno desabafo. Eu nunca vi na minha vida, na minha história política, ao longo dos seis mandatos que eu tive, disputando eleições de prefeito, governador e senador, uma convenção que foi conduzida de tal forma draconiana, ou seja, desigual e desonesta.”

Apesar das críticas, o senador afirmou que respeita a decisão da maioria dos convencionais e disse acreditar que o resultado ocorreu pela vontade de Deus.

“Eu sou muito fiel a Deus. Deus, na sua infinita vontade, eu tenho a certeza, decidiu que a maioria dos convencionais apoiasse essa possível coligação com outra agremiação partidária. Eu respeito. Eu não faço política na base da força, na marra ou empurrado goela abaixo.”

Jayme também afirmou que sai da convenção com o sentimento de dever cumprido por ter colocado seu nome à disposição do partido para disputar o Governo de Mato Grosso.

“Saio desta convenção tranquilo, do dever cumprido, dando a minha contribuição e colocando o meu nome para que pudesse disputar uma eleição de governador do Estado de Mato Grosso. Mas os convencionais não quiseram, acharam por bem apoiar outra possível coligação. Nós temos que respeitar.”

Ao agradecer aos apoiadores, o senador voltou a se emocionar. Com a voz embargada, lembrou pessoas importantes de sua trajetória, recordou o filho falecido e chorou durante o pronunciamento, sendo aplaudido pelos presentes antes de retomar o discurso.

Em seguida, garantiu que continuará ao lado dos aliados que o incentivaram a disputar a convenção.

“Quero aqui deixar a minha gratidão eterna. Jamais esquecerei aqueles companheiros e companheiras que me incentivaram durante esse processo. Serei grato eternamente. Fiquem certos de que eu não abandono companheiro na guerra”, disse.

Jayme ainda afirmou que acreditava estar preparado para vencer a eleição caso tivesse sido escolhido como candidato do União Brasil.

“Ninguém ganha eleição no grito. E, se eu disputasse a eleição, eu tinha certeza de que iria ganhar.”

Na parte mais dura do discurso, o senador voltou a atacar a condução da convenção e afirmou que o resultado foi influenciado pela estrutura de poder.

“Não foi uma eleição tranquila, não foi uma eleição transparente, não foi uma eleição democrática. Trabalhou o famoso rolo compressor. Muitas vezes o poder econômico, que eu não tinha para competir, e a força do poder do Estado.”

Sem citar nomes, Jayme também afirmou que jamais abrirá mão de seus princípios.

“Jayme Campos jamais vai negociar. Jayme Campos jamais vende a sua dignidade. Jayme Campos será sempre esse homem que foi durante toda a sua vida pública.”

Resultado da convenção

O discurso foi feito após a divulgação do resultado da convenção estadual do União Brasil, realizada na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), em Cuiabá.

Jayme Campos não conseguiu reunir votos suficientes para confirmar sua candidatura ao Governo de Mato Grosso. Dos 50 convencionais aptos a votar, 30 aprovaram a possibilidade de o União Brasil formar uma coligação com o Republicanos, enquanto 19 defenderam a candidatura própria da legenda. Também houve uma abstenção e um voto nulo, registrado porque o convencional marcou as duas opções disponíveis na cédula.

Com a decisão, o União Brasil deixa de seguir, neste momento, pelo caminho da candidatura própria ao Palácio Paiaguás e autoriza a direção partidária a avançar nas negociações para uma composição com o Republicanos nas eleições de 2026.

O resultado encerrou uma convenção marcada por embates entre as principais lideranças da legenda. Antes da votação, os irmãos Júlio e Jayme Campos questionaram a legalidade da inclusão da proposta de coligação no pedido de registro da candidatura do ex-governador Mauro Mendes ao Senado. Mauro rebateu as críticas, sustentou que havia consultado o diretório nacional do partido e defendeu que a proposta poderia ser apreciada pelos convencionais.

A convenção ainda registrou troca de críticas entre Mauro Mendes e o deputado estadual Dilmar Dal Bosco, que classificou a possível aliança como uma “traição” ao partido. O ex-governador respondeu afirmando que alianças fazem parte da história do antigo PFL e do próprio União Brasil e que a decisão representava apenas uma opção política diante do cenário eleitoral de 2026.

 

Por Fato Agora