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Dengue em Cuiabá: Ovos do Aedes resistem 450 dias à seca

Alerta em Cuiabá: ovos do Aedes aegypti resistem até 450 dias sem água e exigem atenção no início das chuvas

Com a chegada das chuvas em Mato Grosso nos meses de outubro e novembro, o calor associado ao acúmulo de água acende o sinal vermelho para a proliferação do Aedes aegypti, vetor responsável pela transmissão de dengue, zika e chikungunya.

Resistência impressionante do vetor

A Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá (SMS) faz um alerta preventivo à população: os ovos do vetor possuem alta resistência e podem permanecer viáveis por até 450 dias (15 meses) em locais secos, aguardando o primeiro contato com a água das chuvas para eclodir.

Balanço de casos e vistorias na capital

No período de janeiro a outubro de 2026, Cuiabá contabilizou 853 casos autóctones de dengue, além de três óbitos decorrentes da infecção. Para conter o avanço do transmissor, as equipes de vigilância vetorial já vistoriaram mais de 885 mil imóveis na capital, eliminando 26,3 mil depósitos de água parada.

Cuidados fundamentais contra a proliferação

A Secretaria de Saúde elenca os principais aspectos biológicos do mosquito e os cuidados com a saúde em caso de contaminação:

Esfregar as paredes dos recipientes: Apenas descartar a água parada não basta; é necessário esfregar com bucha ou escova as bordas de pratos, vasilhames e calhas para arrancar os ovos aderidos às superfícies;

Criadouros em pequenos objetos: Tampinhas de garrafa, vasos de plantas e embalagens plásticas descartadas no quintal acumulam volume suficiente para o desenvolvimento das larvas;

Vistoria semanal na chegada das chuvas: Calhas, calhas de teto e lajes que passaram meses secas voltam a acumular água e precisam de inspeção periódica;

Hábitos diurnos: O mosquito pica preferencialmente no início da manhã e no fim da tarde. O uso de repelentes corporais é recomendado;

Atenção aos sinais de alarme: A fase mais crítica da doença ocorre quando a febre cede (entre o 3º e o 7º dia). Dor abdominal intensa, vômitos contínuos, tontura e sangramentos exigem socorro médico imediato;

Risco na reinfecção: Existem quatro sorotipos do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Uma segunda infecção por outro sorotipo aumenta o risco de evolução para a forma grave da doença;

Três doenças, um vetor: Dengue, zika e chikungunya compartilham o mesmo transmissor. A chikungunya destaca-se por dores articulares severas que podem persistir por meses;

Remédios proibidos: Em caso de suspeita, medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (AAS), ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno devem ser evitados, pois aumentam o risco de hemorragias;

Diagnóstico e testes: Exames de PCR e antígeno NS1 são indicados nos primeiros dias de sintomas; testes de anticorpos aplicam-se a fases posteriores. O atendimento inicial deve ser feito nas 72 Unidades de Saúde da Família (USFs) de Cuiabá;

Infectados também devem usar repelente: Durante a fase de viremia (vírus circulante no sangue), a pessoa doente que é picada transmite o vírus para novos mosquitos, perpetuando o ciclo na vizinhança.

Onde buscar atendimento médico

Diante de sintomas iniciais como febre, dor no corpo ou atrás dos olhos, o morador deve procurar a Unidade de Saúde da Família (USF) mais próxima para avaliação médica. Caso ocorram sinais de gravidade, como dor abdominal forte, vômitos persistentes, sangramentos nas mucosas, tontura ou falta de ar, o paciente precisa ser levado imediatamente a uma das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou Policlínicas 24 horas da capital mato-grossense.