Uma estudante de Direito, de 23 anos, denunciou ter sido agredida, ameaçada e intimidada por policiais militares durante uma abordagem realizada dentro da residência onde mora, no bairro Novo Horizonte, em Cuiabá. O caso teria ocorrido na madrugada de segunda-feira (10), diante do filho dela, de 3 anos, e da avó acamada.
A jovem relatou que acordou após escutar disparos e perceber luzes passando pela janela do quarto. Preocupada, foi verificar as condições do filho e da avó, que possui problemas de saúde e teve um dos membros amputados. Nesse momento, teria percebido a presença de policiais no quintal do imóvel.
De acordo com a denúncia, um dos militares abriu a janela da sala, proferiu xingamentos e determinou que a porta fosse aberta rapidamente. A estudante afirmou que estava passando mal no banheiro e pediu alguns instantes antes de atender à ordem.
Ela também tentou gravar a movimentação com o celular, mas o aparelho não armazenou as imagens devido à falta de espaço na memória. Ao abrir a porta e se aproximar dos agentes, teria sido surpreendida por um policial apontando uma arma em sua direção e ordenando que colocasse as mãos sobre a cabeça.
Ainda conforme o relato, o militar atingiu a mão da estudante, provocou a queda do celular e danificou o aparelho. Na sequência, ela teria sido agredida até o interior da residência. A jovem apresentou um ferimento na boca, que, segundo a denúncia, foi provocado durante a abordagem.
Os policiais também teriam exigido informações sobre pessoas supostamente envolvidas com o tráfico de drogas na região. A estudante alegou desconhecer os suspeitos mencionados e explicou que divide sua rotina entre trabalho, faculdade e os cuidados com o filho e a avó.
Uma das acusações mais graves é a de que um dos agentes teria ameaçado colocar entorpecentes com a jovem para incriminá-la por tráfico. A intimidação, segundo ela, ocorreu na presença dos familiares.
Após o episódio, a estudante formalizou a denúncia e informou que pretende buscar a responsabilização dos envolvidos. Ela também relatou que passou a sentir medo de sair de casa e desenvolveu pânico ao se deparar com viaturas policiais.
Corregedoria investiga denúncia
A Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Mato Grosso informou que recebeu a denúncia na terça-feira (11) e instaurou um procedimento para identificar os agentes envolvidos e esclarecer as circunstâncias da ocorrência.
Em nota, a instituição afirmou que os fatos serão apurados com rigor e reforçou que não tolera abuso de autoridade, violência ou qualquer outra prática criminosa cometida por seus integrantes.







