A recente suspensão das importações de carne bovina brasileira por parte da União Europeia deverá gerar reflexos menos intensos do que o inicialmente projetado pelo setor produtivo. A avaliação é do diretor técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Francisco Manzi, diante da medida que entrou em vigor recentemente.
Motivações e contexto da medida europeia
O embargo adotado pelo bloco europeu, composto por 27 nações, fundamenta-se na alegação de suposto uso excessivo de antibióticos na criação de gado, o que, segundo o argumento oficial, desrespeitaria as normas sanitárias locais. No entanto, representantes da pecuária nacional apontam que a restrição tem forte caráter protecionista para favorecer os produtores do continente.
Para o dirigente da Acrimat, a proibição carece de embasamento científico, reforçando a tese de barreira comercial. Ele destaca que o produto brasileiro possui ampla aceitação global, sendo consumido por mais de 130 países ao redor do planeta.
Participação dos europeus nas exportações
Apesar de abranger um mercado consumidor de 400 milhões de habitantes, o território europeu responde por uma fatia relativamente modesta das vendas externas mato-grossenses. Os envios para o bloco representam 3,43% do volume total de carne produzida no estado e geram 4,65% da receita do setor, somando 130,51 milhões de dólares.
Diante desses números, a expectativa da entidade é de que o volume excedente seja facilmente absorvido tanto pelo mercado interno quanto por outras nações compradoras, atenuando as perdas financeiras.
Cenário de oferta e negociações futuras
Outro fator que interfere na dinâmica atual é a baixa oferta de animais para abate, cenário que já pressiona para cima os preços da arroba do boi gordo. Essa escassez pode influenciar os custos internos e a margem de lucro dos criadores, independentemente das vendas externas.
Enquanto o governo federal conduz tratativas diplomáticas para reverter o quadro no médio prazo, os pecuaristas habilitados reforçam que mantêm rigoroso controle de qualidade e cumprem todas as exigências sanitárias exigidas internacionalmente, mantendo a expectativa de retomar os embarques assim que o impasse for solucionado.







