Ex-governador e deputado federal aparecem entre 31 investigados por suspeitas de organização criminosa, desvio de dinheiro público e lavagem de recursos
Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) colocou 31 pessoas sob medidas cautelares no âmbito de uma investigação que alcança importantes nomes da política e do Judiciário de Mato Grosso. Entre os investigados estão o ex-governador Mauro Mendes e o deputado federal Fábio Garcia, ambos do União Brasil.
As determinações fazem parte da Operação Heritage, realizada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (6). O trabalho pretende esclarecer o destino de valores ligados a um acordo de R$ 308 milhões celebrado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora de telefonia Oi S.A.
A investigação busca saber se agentes públicos, empresários, advogados e profissionais do mercado financeiro teriam formado uma estrutura para viabilizar o desvio e a circulação dos recursos. Os investigadores também apuram a possível utilização de informações privilegiadas durante as operações financeiras.
Mauro Mendes figura como um dos principais nomes investigados. A lista alcança ainda sua esposa, Virginia Mendes, e os filhos Luís Antônio Mendes e Ana Carolinne Mendes Facure. No núcleo ligado a Fábio Garcia, foram incluídos Robério Garcia, Laura Paulino Garcia e Fabíola Paulino Garcia Pereira Cardoso.
Também são investigados o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho Júnior, sua esposa e duas filhas. Completam o grupo de autoridades os desembargadores Ricardo Gomes de Almeida e Mário Roberto Kono de Oliveira, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, e o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça Ulisses Rabaneda dos Santos.
A apuração abrange ainda empresários, gestores de fundos de investimento, advogados e operadores financeiros. A suspeita é de que diferentes pessoas tenham desempenhado funções específicas na movimentação e ocultação do dinheiro relacionado ao acordo.
As medidas foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do STF. Os investigados tiveram os passaportes recolhidos e ficaram impedidos de sair do Brasil. A decisão determinou ainda a quebra dos sigilos bancário e fiscal, a indisponibilidade de bens e a proibição de contato entre os envolvidos — com exceção daqueles que pertencem à mesma família.
A Polícia Federal trabalha com a possibilidade de terem ocorrido crimes como peculato, organização criminosa, lavagem de dinheiro, uso indevido de informação privilegiada e violações ao Sistema Financeiro Nacional. O enquadramento poderá ser ampliado caso outras irregularidades sejam identificadas.
Confira os 31 nomes:
- Mauro Mendes Ferreira
- Virginia Mendes
- Luís Antônio Mendes
- Ana Carolinne Mendes Facure
- Fábio Paulino Garcia
- Robério Garcia
- Laura Paulino Garcia
- Fabíola Paulino Garcia Pereira Cardoso
- Mauro Carvalho Júnior
- Monica Padilla de Borbon Neves Carvalho
- Camilla Padilla de Borbon Novis Neves Carvalho Arruda
- Isabelle Regina Padilha de Borbon Novis Neves Carvalho Maluf
- Helio Palma de Arruda
- Ricardo Gomes de Almeida
- Mário Roberto Kono de Oliveira
- Ulisses Rabaneda dos Santos
- José Carlos Bumlai
- Alexandre Knopfholz
- José Henrique da Silva Gomes
- José Carlos Siqueira de Lima
- João Paulo Magalhães de Barros
- Jansen de Melo Dias
- Antônio Celso Guedes
- Luiz Carlos Gabarra
- Marcel Salim Cury
- Alexandre César
- André Luís Ferreira de Souza
- Paulo Nasser
- Ana Paula Ceschin
- Alexandre Gehlen
- José Mário Facure Filho
A Procuradoria-Geral do Estado declarou que atenderá às solicitações apresentadas pela Polícia Federal. Em nota, a instituição afirmou confiar na investigação e esperar que as circunstâncias envolvendo o acordo sejam devidamente esclarecidas.
A Operação Heritage permanece em andamento. Nesta etapa, a PF procura delimitar a atuação de cada investigado e rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro. As suspeitas ainda serão submetidas à apuração e não significam que as pessoas mencionadas tenham sido condenadas.







